O derramamento do petroleiro da Exxon, o escândalo das ponto-com e uma série de acontecimentos antiéticos precipitaram uma fase em que cada um assume responsabilidade social por seus atos. Em outras palavras, se o que eu faço incomoda meu vizinho, simplesmente não posso mandá-lo ir à merda e continuar com minha vida.
Então, eu comecei a pensar menos macro e analisar o que os cidadãos comuns fazem para tornar o mundo um lugar de pessoas socialmente responsáveis. Bem, cheguei à conclusão de que os que se consideravam em sua maioria “responsáveis” eram pessoas engajadas em trabalhos voluntários. Respeito muito aqueles que os fazem de coração. Deixar de lado o próprio umbigo e se comprometer com uma causa que involve as necessidades de um total desconhecido, é uma atitude bastante nobre. Só que, nem tudo são flores. Muitas dessas pessoas são “caridosas” como autopromoção e não levam adiante a corrente do bem para outras esferas de sua vida. Digo isto porque em diversas ocasiões de entrevista de emprego, o trabalho voluntário é citado como diferencial. E mais! Gente que só se dispôs a realizar algo “socialmente responsável” porque era interessante para currículo. Ou ainda, pessoas que acham que o trabalho social acumula bônus para fazer maldades; isto é, como o fulano já deu sua cota de boa ação na sociedade, pode continuar sendo grosseiro com os demais, dando fechadas no trânsito e passando a perna nos colegas de trabalho.
Ser socialmente responsável não deveria ser acoplado aos valores? Parece que muita gente ainda age para garantir os aplausos da sociedade ao invés de investir em um trabalho de reflexão e procurar aquilo que é verdadeiro e faz sentido para si.