Percebi que o maior número de hits no meu blog se deve ao post sobre auto-conhecimento induzido por dinâmicas de grupo. Como consegui passar em algumas, depois de uma infinidade de experiências frustradas, resolvi compartilhar meu conhecimento com os interessados e quem sabe ajudar essas pessoas.
Dizem por aí que não existe receita de bolo. MENTIRA! Evidentemente, não existe um modelo, mas algumas atitudes podem ser treinadas e aperfeiçoadas a fim de ganhar a atenção das mulheres do RH (alguém por sinal já viu algum homem em RH?). Esse papinho de ser você mesmo e tal serve apenas quando o mercado procura pessoas autênticas e não é isso o que vemos por aí. As empresas procuram em sua maioria o mesmo perfil; isto é, pessoas com espírito pró-ativo, que se fazem ouvir quando abrem a boca, que conseguem influenciar os membros do grupo, que trazem idéias e que se articulam bem de modo geral – habilidades que muitos possuem, mas nem sempre conseguem demonstrar de forma satisfatória.
Conheço pessoas sensacionais que raramente passam em dinâmicas. Tenho certeza de que se essas mesmas pessoas fossem para um barzinho com o povo do RH e batesse um papo de cinco minutos, fariam com que os avaliadores voltassem atrás em suas decisões. Mas não é assim que a banda toca. Não vamos para uma dinâmica pra ter uma conversa informal. Vamos a dinâmicas para sermos avaliados. E o que esperar delas? Como impressionar o RH?
As dinâmicas de grupo diferem de consultoria para consultoria, mas a formal geral tende para o seguinte padrão: (1) breve apresentação pessoal; (2) estudo de caso em grupo, com apresentação; (3) estudo do mesmo caso sob outro ponto de vista com um grupo diferente, com apresentação.
Em (1) temos que trabalhar nossas habilidades como se estivéssemos respondendo à famosa pergunta “Por que devo te contratar?”. Ao contrário do que muitos pensam, não é pra dizer “Olá, me chamo fulano, estudei na faculdade tal, trabalho na multinacional X, faço trabalho voluntário na ONG Y, morei Z meses no exterior e gosto de sair com meus amigos no fim de semana”. Bem, isso o seu currículo já fala por você. O RH quer saber neste momento aquilo que você não pode contar num currículo porque é altamente subjetivo. Esta é a hora de você mostrar seu comprometimento com o trabalho e usar no seu monólogo jargões como foco em resultados, paixão por desafios, trabalho em equipe e espírito de liderança. E POR FAVOR, cite exemplos. Essas frases soltas de nada valem se você não pode comprovar o que diz. Aí, sim, talvez seja oportuno fazer inserções de seu currículo. Mas lembre-se: não é o currículo que fala mais alto, e sim a habilidade. Não é porque você citou um aspecto de seu currículo que sairá esbaforido para contar o resto. É natural se orgulhar dos seus cursos, das línguas que fala e dos estágios, mas este não é o foco. Mais uma vez, concentre-se em suas habilidades. Escolha 2 ou 3 e treine previamente em casa o que dizer. Garanto que isso não é perda de tempo. Todas as dinâmicas incluem apresentação pessoal e quando não perguntam diretamente pelas qualidades do candidato, perguntam nas entrelinhas com o “fale um pouco de você”. É importante dedicar uns minutos ou até horas para este tipo de reflexão.
Vejamos alguns exemplos. Se você se considera uma pessoa que sabe trabalhar muito bem sob pressão, ilustre, de preferência com uma situação recente, essa disposição toda. Uma pessoa que faz faculdade de manhã, trabalha ainda 6/8 horas e quando chega em casa altas horas da noite, ainda encontra ânimo para estudar para as provas, escrever a monografia e finalizar os projetos (lembre-se: trabalhar sob pressão também está vinculado ao fato de cumprir com prazos curtíssimos), mostra que sabe lidar com várias incumbências. Ou ainda, uma dica pra quem já fez intercâmbio, é começar dizendo que se adapta muito bem às mudanças. Todo mundo que já passou algum tempo fora, com certeza já teve uma crise, quis voltar desesperadamente pra casa ou se cagou de medo diante de uma situação inusitada. Bem, o RH não precisa saber disso. O que o RH precisa saber é que você é um super-homem e se adaptou muito rápido à nova circunstância, sabendo lidar com a diversidade (adaptabilidade à cultura local) e superar as dificuldades. E dê exemplos de superação! Falar só que o intercâmbio foi uma experiência enriquecedora não diz nada! Diga que mal sabia o idioma e que se virou pra acompanhar as aulas – diga que levava dicionários para a aula, que estudava com afinco madruga adentro, qualquer coisa que mostre que correu atrás.
Resumo de (1): ao se apresentar aproveite para incluir suas melhores qualidades e citar exemplos disto. Isoladamente, esses fatores não funcionam, é preciso usá-los conjuntamente.
Em (2) é quando a dinâmica de fato começa. Infelizmente, não é possível ter controle sobre uma série de fatores. Não sabemos se as pessoas do grupo vão colaborar com o grupo ou se estarão querendo chamar atenção pra si, o caso a ser estudado pode apresentar algumas surpresas (por exemplo, a empresa é de siderurgia, e você estuda previamente este mercado, só que na hora a ênfase é em logística e você não sabe nada sobre o assunto), aspectos emocionais e psicológicos podem funcionar como boicote etc. OK! Mas a boa notícia é que ainda que tudo pareça conspirar contra, a maior parte do jogo depende de nós.
Trate todos do grupo com igual respeito e dê chance de falar a quem está quieto. Pergunte a opinião desta pessoa e mesmo que ela não revele nada interessante, tente travar uma breve conversa. Isso mostra que você está interessado nas idéias do grupo como um todo e não apenas ligado nas pessoas que colaboram mais. Eventualmente, a situação será justo o oposto: alguém não dará chance aos outros de falar. Essas pessoas costumam acreditar que quem passa em dinâmicas é aquela que mais fala. Felizmente, não é assim. Não se acanhe e interrompa gentilmente esta pessoa: “fulano, estou entendendo o que você quer dizer, mas o que acha de…”; ou “ok, se me permite fazer um comentário, gostaria de…”; ou ainda “acho que você tocou num ponto crucial e acredito que… ” (elogiando a contribuição do colega, ele estará mais aberto ao que você tem a dizer). É importante construir argumentos sólidos, senão, na próxima vez que quiser falar, o grupo não prestará muita atenção. E o mais importante de tudo: tenha certeza de que o RH ouviu o que disse. De nada vale dar de bandeja idéias preciosíssimas se naquele momento o RH está avaliando outro grupo. É lógico que nem sempre podemos esperar que os avaliadores cheguem para expor nosso trunfo. Às vezes o momento exige nossa intervenção imediata, mas o que quero dizer com isso é que: ao sinal de aproximação do RH, é melhor começar a mostrar suas idéias. Você pode ser “o cara” para a vaga, mas o mais importante é não guardar esta informação só para si; você deve, de fato, fazer com que o RH acredite que você é a pessoa para o cargo.
Não tente impor suas idéias a ferro e fogo. Se o grupo não acatar sua idéia, saiba perder. Ceder mostra que você é receptível ao outro e que está disposto a rever seus conceitos, característica fundamental de sobrevivência em um mundo que se renova constantemente. Se por acaso tiver uma pessoa desse tipo no seu grupo, controle-se! Não mostre antipatia! Fale gentilmente: “fulano, acho que sua idéia é ótima (ainda que não seja de forma alguma, vale a pena bajular um pouco o colega para ele não se irritar), mas o foco do problema é outro”. Se você conseguir ser este intermediador entre o chato e o grupo, acredite, estará quase com os pés na etapa seguinte.
Esta discussão em grupo é a parte mais importante da dinâmica, pois avalia-se o comportamento do candidato dentro do grupo, o que pode ser interpretado como uma pequena amostra da sua postura no dia-a-dia no relacionamento com os colegas de trabalh0. Algumas das habilidades observadas: espírito de equipe/sinergia (o produto do grupo é mais importante do que cada um sozinho ali), liderança (você foi responsável por conduzir o grupo? conseguia convencer as pessoas de que suas idéias eram boas; ou seja, seus argumentos eram fortes e a maneira como você se comunicou foi eficiente?), comprometimento (você se sentiu parte do projeto ou estava ali presente por estar? passou energia positiva e contagiou os demais com sua energia?), dentre outras.
A apresentação é o que menos importa. As pessoas costumam ficar ansiosas para separar os tópicos entre os membros do grupo para que saia uma apresentação bem organizada. Parece que existe um pânico generalizado diante da perspectiva de não sobrar nada pra dizer. Pois digo uma coisa, a apresentação é acessório. O que o pessoal do RH queria saber, já conseguiu durante a discussão com o grupo. Neste momento, o que está sendo avaliado é seu posicionamento diante do público: se fica nervoso, se fala com clareza, se gesticula muito etc; mas o foco principal na dinâmica é a sua capacidade de se relacionar com as pessoas. É durante a discussão com o grupo que você mostrará para o RH que você é “O cara” que a empresa precisa.
Ah, outra coisa: escrever no flip-chart não é o seu diferencial na dinâmica. Por favor, não se apegue a um fato tão bobo achando que isso somará pontos.
Resumo de (2): o que está sendo avaliado é sua forma de interagir com o grupo. Seja simpático, dê espaço para todos falarem, mostre suas idéias de forma clara e de maneira alguma se mostre preconceituoso. Se possível, tente conduzir o grupo sem que ele perceba que está sendo conduzido; isso é o que separará os líderes dos liderados.
Em (3) a situação é bem semelhante. Mais uma vez mostre simpatia, seja cortês com as pessoas e contribua com idéias relevantes. A diferença desta parte para a anterior é que estará lidando com pessoas diferentes. Aqui cabe um comentário: o RH está verificando sua habiliadade de interagir com pessoas de diferentes perfis e cabe a você mostrar que lida bem com qualquer uma delas. Por exemplo, há pessoas que por sorte do destino encontram colegas bastante receptivos no primeiro grupo e acabam realizando um trabalho fenomenal sem dificuldade. Quando migram para outro grupo, deparam-se com uma certa resistência e as coisas não fluem às mil maravilhas. Neste caso, não dá para simplesmente entregar o jogo. É preciso usar de muita política e enfrentar as adversidades. Não dá pra culpar o grupo pelo mau desempenho. Você tem que fazer de tudo para contornar a situação. E, acredite, por mais que seu grupo não se saia muito bem, se conseguir superar as dificuldades, isso contará a favor.
Além da troca de pessoas, esta etapa também poderá aprensentar outra situação: (a) troca de sub-tema ou;(b) troca de ponto de vista do assunto. (a) No primeiro caso, é possível que trabalhe com pessoas que já discutiram o sub-tema na situação anteiror (o sorteiro para recolocação das pessoas é de forma aleatória, podendo às vezes manter algumas em sua posição original). Isso, infelizmente, não conta muito a seu favor, pois essas pessoas já estão com suas idéias tinindo e acham que dominam o assunto mais do que você. Suas opções são: entrar na delas e colaborar apenas com idéias coadjuvantes ou tentar mostrá-las a situação por outro ponto de vista. Não existe uma escolha melhor do que a outra. Na primeira opção você está sendo flexível com o grupo, embora sua capacidade de influenciar seja menor. Na segunda opção, corre o risco de ser mal visto pelo grupo, já que este pode ver em você um intruso que já quer ditar as ordens da casa. A boa notícia é que se sua idéia for de fato interessante, a resistência e a hostilidade serão menores; e isso contará muito a seu favor. (b) No segundo caso, é possível tenha que defender um argumento que era justamente contrário em (2). Trabalhe o desapego. Não pense que a idéia anterior era tão maravilhosa e cheia de bons argumentos que você não consegue pensar com outra cabeça. Aproveite esses argumentos maravilhosos e tente rebatê-los. Mude seu ponto de vista! Em diversos momentos no trabalho nos vemos forçados a defender uma idéia da qual não compartilhamos, mas temos que fazê-lo em prol do interesse coletivo da empresa. Mostre para o RH que você é assim. Capaz de criar argumentos sólidos, não importa o contexto.
Esta parte também se encerra com uma apresentação do grupo. As dicas de (2), valem para (3).
Resumo de (3): A dinâmica de (2) se repete em (3), mas com um contexto e pessoas diferentes. Você deve se mostrar versátil, de modo a trabalhar tão bem agora quanto anteriormente.
Espero que este post tenha sido útil. Qualquer dúvida, ajuda, podem entrar em contato comigo pelos comentários que terei muita satisfação em responder.
mto boooom! Adorei seu texto, alias, todos eles.
amanha vou fazer uma dinamica, seguirei suas dicas e volto pra contar o resultado =)
Oi, Karen
Espero que tenha dado tudo certo na sua dinâmica.
Qualquer coisa em que eu possa ajudar, estou aí à disposição.
adorei a matéria,fiz uma dinâmica e não passei,fiquei sem entender o porque só q agorame sinto mas preparada e segura para participar de uma, o mue maior problema é que as dinâmicas não tem certo ou errado e eu foco tentando adivinhar o que o selecionador que talvez eu me desconsentre por conta disso.
Há diversos tipos de dinâmica. O exemplo que tracei acima é um tipo mais geral que estou acostumada a ver. Nestes tipos, as habilidades mencionadas são as mais procuradas. Eventualmente, vc irá se deparar com uma ou outra que procure um perfil diferente.
De qq maneira, acho que ninguém irá ser eliminado de uma dinâmica se mostrar espírito de equipe, empatia, pró-atividade e uma certa criatividade também.
PASSAR NUMA DINÂMICA ???? HA HA AH AH AHA … EU MANDO É TODO MUNDO SI FUDER !!!!!!!!!
ACHO Q TODOS MERECEM UM TRABALHO BEM REMUNERADO SEM TER Q PASSAR POR ESSAS IDIOTICES !!!
Parabéns pelo texto, muito bom. Tem muito a própria visão do RH então vai me ajudar muito na próxima dinâmica.
olá , gostei muito do texto e com certeza irá me ajudar muito ! Ontem tive uma dinâmica de grupo e não passei , hoje tenho outra e com fé em Deus hoje eu passo !
Achei de alta relevância o texto. Apesar de genérico, esta é uma base para uma boa dinâmica e até mesmo, entrevista.
adorei o tópico.foi de muita valia
vou seguir essas dicas e tenho certeza que vou passar.
Amei o Tópico, tenho uma dinâmica amanhã vou seguir suas dicas e fazer o melhor para passar.
nossa gostei muito do topico
concertesa eu vou passa
bjos tudo de bom !!
boa tarde!achei muito interessante o texto,vou passar por uma dinâmica em hospital e confesso que estou muito apreensiva,pois não sei se os temas abordados serão sobre
saúde.se puder me ajudar com mais alguma diga lhe agradeço:obrigada.
foi ótimo ter uma idéia sobre dinâmica, terei uma essa semana, me candidatei para o cargo de supervisora de caixa, uma oportunidade nova em minha profissão, já passei na entrevista, espero passar na dinâmica, aí é procurar sempre informações… Obrigada! Estou confiante!
Dinâmica de Grupo? Temos é que parae de dar emprego para esses “passa fome”. Pseudo psicólogas, que se fossem boas, estariam em suas clínicas sentados as suas mesas e não recemendo salário fome por aí.
Se for chamado para uma dinâmica de grupo NÃO PARTICIPE!
O meu passatempo hoje em dia é comparecer a essas dinâmicas e humilhar as vadiazinhas, que se acham as donas da verdade.
Já fui retirado por seguranças de uma empresa KKKKKKK, mas garanto que a “recrutadora” nunca mais vai se esquecer de mim.
É isso pessoal, não dêem emprego para esses lixos. Não participem dessas palhaçadas.
SINCEREAMENTE? NUNCA LI UM TEXTO TAO TRANSPARENTE E EFICAZ UANTO ESTE SOBRE O TEMA.
Olha, sei que dinâmica realmente não é o suficiente para se ter certeza que a pessoa serve ou não para ocupar o cargo em determinada empresa….pois tambêm já me senti varias vezes humilhada em entrevistas, e mais gastando o dinheiro que não se tem, ficando até o dia todo no local para no fim ouvir um ” ficaremos com seu curriculo para a próxima oportunidade”…….mais fazer o que se não passar por isso vai ser dificil arrimar um emprego!!!!!!!!
De modo geral gostei bastante, isto vai ajudar nas dinamicas em grupos, e para o espertinho aí de cima ( Eduardo ) eu digo uma coisa – Eduardo é por isto que fazem dinamicas para que não contratem idiotas e pervertidos como vc querido.