Quando assisti ao filme protagonizado por Keanu Reeves, não havia me dado conta que por trás da ficção existe muita vida real: a sociedade, com suas regras e tal, é a Matrix e nós, seres humanos pilotados pelos desejos da Matrix, suas marionetes.
A coisa funciona meio que assim. A sociedade lhe impõe certos padrões para que você viva feliz dentro dela - escolha uma profissão, se case, tenha filhos, pratique exercícios se quiser viver mais, coma bem se quiser viver mais – e dispõe de outros que você pode escolher. Dentre esses que são aparentemente de livre escolha, há um leque limitado. Metaforicamente falando, a sociedade lhe oferece uma centena de caixinhas: amarela com bolinhas brancas, vermelha com listras azúis, rosa e verde, preta, cinza etc. Mas, não se sabe por que cargas d’água, você prefere uma sacola plástica. Ora! Isso não é possível. Com tantas caixinhas, por que uma sacola plástica?
É assim que vivemos nosso dia a dia. Por exemplo, no meio corporativo está em voga uma série de habilidades como pró-atividade, espírito de liderança, sinergia, entre outros. Se você escolheu a caixinha da sociedade com o rótulo “meio corporativo”, mas não tem as habilidades necessárias, é uma lástima. O mercado terá o maior prazer em abrir as portas pra você se souber desenvolvê-las ipsis litteris, mas não terá a menor piedade se não seguir as regras. Neste caso, sim, você será um marginalizado da sociedade. Na vida pessoal, por exemplo, se a pessoa já atingiu uma determinada faixa etária e ainda não se casou, sofre uma pressão estrondosa. Aí quando casa, os colegas começam a perguntar pelos filhos e assim segue, não interessa se isso trás felicidade ou não.
Temos uma série de obrigações de conduta para teoricamente viver em harmonia numa sociedade. Mas, se não compactuamos dos padrões, somos automaticamente excluídos, quer lutemos ou não. É muito difícil ir contra a maré. Na verdade, vivemos todos sob o pacto social hobbesiano.