A influência dos outros sempre me inquietou. Por diversas vezes me vi mudando de opinião ou construindo uma idéia a partir de argumentos e pontos de vista que não eram meus. Isso me dava a sensação de fraqueza, de ser facilmente persuadida e de não ter opinião própria.
Evidentemente, não podemos ser rígidos em nosso modo de ser. É preciso levar em conta as boas idéias; ou seja, filtrar o que nos é dito e fazer aquilo que nos parece mais correto. Contudo, comecei a entrar numa paronóia de que era uma marionete dos seres humanos: sábios me mostravam um novo caminho, gurus de livros de administração ditavam os comportamentos da liderença, filósofos pressagiavam o porvenir com seus aforismos… meu pai, minha mãe, meu médico, minha analista, meus melhores amigos, minha empregada, meu treinador… até 0 cara da oficina estava dando em pitaco em como reger minha vida; quer eu quisesse ou não. De certa forma estava deixando que todos se intrometessem, e isso era culpa minha.
O problema de dar ouvido a todos é o mesmo problema de querer agradar a todos: impossível na prática. Quando a pessoa se empenha tanto em agradar a opinião alheia se frustra por 2 motivos:
(1) Nunca consegue corresponder plenamente às expectativas externas. Sempre haverá alguém pra dizer algo de ruim a respeito do que foi realizado.
(2) Nesse processo de pensar sempre no outro, a pessoa não entra em contato com seus desejos e necessidades, conseqüentemente, nunca consegue se satisfazer.
O mesmo ocorre quando se dá ouvido a todos. As informações entram em conflito! Não é possível colocar em prática todos os conselhos como se fossem uma experiência de laboratório que dá errado e tentamos outra vez. Talvez, dependendo do que enfrentamos, temos apenas uma única chance; portanto, faz-se necessário refletir com cautela sobre as ações a serem empreendidas. E neste processo, sim, devemos dar ouvido às pessoas, filtrar as informações e levar conosco aquilo que julgamos melhor.
Reproduzir algo que julgamos correto ou que no mínimo faz sentido para nós mesmos não é falta de personalidade. Seres humanos são compostos por sua carga genética e pela influência do meio; logo, seria ridículo, senão imoral, ignorar ou negar a influência dos outros em nós.
Uma coisa, entretanto, deve ficar claro: a responsabilidade está sempre nas mãos de quem toma a decisão e não de quem fabricou o pensamento.
Gostei muito deste texto!